Política Mastigada - parte 1
(Esses textos, retirados da Folha Online, são uma tentativa de levar a quem nunca entendeu muito bem a ocupação dos nossos políticos. Não adianta nada ler o que está rolando no momento sem entender o sistema, sem saber quem é quem no cenário e entender o poder que cada um tem nas mãos. De uma forma mais clara, esses textos explicam o que um presidente do Senado e da Câmara podem fazer, que regalias recebem e temos noção de seu imenso poder, que muitos brasileiros desconhecem. É nosso dever conhecer tudo isso, saber como funcionam as coisas em nosso país, só assim podemos lutar por nossos direitos. É o que estou tentando fazer:)
A importância dos Cargos:
Senado
O cargo de presidente do Senado Federal é cobiçado por diversos parlamentares uma vez que, além de estar à frente de 81 senadores, o presidente da Casa Legislativa tem como principal prerrogativa o comando do Congresso Nacional. É o presidente do Senado quem convoca e preside as sessões do Congresso que reúnem os 513 deputados e os 81 senadores.
O presidente da Casa também tem a permissão de designar a Ordem do Dia das sessões deliberativas, incluindo matérias na pauta de votações ou retirando projetos de tramitação. Nas sessões deliberativas, ele ainda tem poderes para desempatar votações e proclamar os seus resultados, assim como conceder a palavra a líderes e aos senadores que desejam apresentar questões de ordem ao plenário.
Além das prerrogativas técnicas concedidas ao presidente do Senado pelo regimento da Casa Legislativa, o cargo desperta a cobiça dos parlamentares por ser de essencial importância política —com trânsito facilitado nos Poderes Executivo e Judiciário.
A Constituição Federal permite ao presidente do Senado, por exemplo, promulgar leis aprovadas pelo Congresso se o presidente da República não cumprir essa função 48 horas após a votação da matéria.
O presidente do Senado, à frente do Congresso, também preside sessões cobiçadas por grande parte dos parlamentares —como a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), do Orçamento Geral da União e da análise de vetos presidenciais.
Ele ainda possui poderes para decidir sobre a instalação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito). Depois que os senadores conseguem reunir as assinaturas necessárias para a abertura da CPI, é o presidente do Senado quem decide se a comissão poderá ou não ser efetivamente instalada.
Câmara
A Câmara pode ser entendida como o “centro” da atividade democrática no país. Ela foi criada para representar o povo, e normalmente os deputados estabelecem uma convivência mais próxima com o eleitor do que os integrantes do Poder Executivo, como prefeitos, governadores e o presidente da República, e mesmo os senadores (parlamentares do Legislativo que representam os Estados).
A eleição interna para o cargo ocorre a cada dois anos. Entre outras atribuições, o presidente da Câmara substitui o presidente da República caso o vice também esteja ausente.
Apesar de receber o mesmo salário de um deputado, o presidente da Câmara exerce um grande poder —é o único que pode colocar em pauta um possível pedido de impeachment do presidente da República.
O presidente da Câmara tem direito a um motorista e uma mansão, enquanto que um deputado tem direito apenas a um apartamento.
Há um detalhe no processo legislativo que pouca gente conhece: todas as propostas de iniciativa da Presidência, dos outros poderes, de iniciativa popular e as medidas provisórias devem começar a tramitar pela Câmara, e não pelo Senado.
Por conta disso, são os deputados que debatem, discutem e negociam inicialmente, até solucionar os impasses. Quando a matéria passa para o Senado, normalmente, o assunto já está decidido —é claro, porém, que a divergência de opinião entre as duas Casas prolonga a discussão e a consequente aprovação de um projeto.
No entanto, é muito raro que os senadores votem contra uma decisão já tomada pelos deputados, o que acontece é que eles apenas aperfeiçoam e aprimoram os textos. Assim, pode-se afirmar que todos os grandes debates nacionais convergem, inevitavelmente, para o plenário da Câmara.
Blocos e bancadas
A formação dos blocos partidários é um aspecto estratégico na divisão de poder na Câmara. Todos os partidos podem se aliar para aumentar sua influência na atividade parlamentar —os dois grandes blocos, no geral, são situação e oposição, a base aliada ao governo federal e os opositores.
Quanto mais cadeiras um bloco tiver, maior será a quantidade de cargos a que ele terá direito nas comissões especiais e nas CPIs, por exemplo. O bloco com mais cadeiras também costuma eleger o presidente da Casa, cargo fundamental para definir quais projetos terão tratamento especial dentro da pauta de votações.
A Mesa Diretora da Câmara tem por atribuição dirigir os trabalhos legislativos e os serviços administrativos da Casa. É um órgão colegiado, integrado por sete deputados eleitos entre os parlamentares. A Mesa tem competências específicas, como, por exemplo, a de promulgar, junto com a Mesa do Senado, as emendas à Constituição e de propor alterações ao Regimento Interno. O mandato dos membros da Mesa é de dois anos.
Comissões
Assim como no Senado, o plenário é o órgão máximo de deliberação da Câmara dos Deputados. Nele, os deputados discutem e votam as proposições em tramitação.
Antes disso, nas Comissões, as propostas são analisadas por grupos menores de parlamentares. É o espaço em que se busca aprofundar o debate das matérias antes de elas, possivelmente, serem submetidas à análise do plenário. As Comissões podem ser permanentes, temporárias ou mistas (formada por deputados e senadores).
Assim, a análise da constitucionalidade, da admissibilidade e do mérito é feita primeiro nas Comissões. No plenário, são deliberadas as matérias que não tenham sido decididas conclusivamente. Quando discutido e votado um projeto de lei nas Comissões, é dispensada a sua votação pelo plenário, com exceção dos casos em que houver recurso de um décimo dos membros da Casa.
Líderes
Os deputados, agrupados em representações partidárias ou blocos parlamentares, elegem seus líderes. Entre outras atribuições, os líderes encaminham as votações nas Comissões e no plenário, onde podem fazer uso da palavra em qualquer tempo da sessão, para tratar de assunto de relevância nacional ou defender determinada linha política.
Os líderes também indicam os deputados para compor as Comissões Técnicas e registram os candidatos para concorrer aos cargos da Mesa Diretora. O presidente da República também pode indicar um deputado para exercer a chamada “liderança do governo”, composta de um líder e cinco vice-líderes.
Salários
Atualmente, os deputados recebem R$ 16.512,09 por mês. No ano —incluindo 13º e 14º salários— cada parlamentar recebe de 15 a 19 salários, dependendo do número de sessões extraordinárias.
Os deputados também recebem auxílio-moradia de R$ 3.000. Cada um recebe ainda uma verba de gabinete de R$ 60.000 para pagar despesas com lápis, canetas, papel, salários de funcionários, entre outros gastos.
Além disso, os deputados recebem uma verba indenizatória de R$ 15 mil, além de uma ajuda de R$ 4.268,55 para despesas com postagens e telefonia. Quando é líder da bancada, vice-líder, presidente ou vice-presidente de comissões permanente a ajuda sobe para R$ 5.513,09
Eles têm direito ainda a uma cota para passagens aéreas que varia de R$ 4.553,91 a R$ 16.099,80 (de acordo com o local de origem do deputado). Cada parlamentar também pode receber cota para publicações.
Os senadores têm rendimentos de R$ 16.510,09 por mês. Além disso, há o auxílio moradia de R$ 3.800 por mês para senadores, cujo objetivo é ajudar os políticos a viverem em Brasília, além de itens como carro oficial com direito a 25 litros de combustível por dia e verba de aproximadamente R$ 15 mil de verba indenizatória, usada para despesas de gabinete (lápis, canetas, papel, salários de funcionários).
Os senadores têm direito também a receber R$ 500 mensais para pagar contas de telefone fixo. Também têm direito a quatro passagens aéreas mensais para voltarem ao seu Estado e mais R$ 8.000 por ano para despesa com serviços gráficos.
#musicmonday: Elis Regina - Atrás da Porta
“Quando Elis conheceu a música, levada por Menescal, a melodia de Francis Hime tinha só a primeira parte da letra de Chico Buarque, Elis e César ficaram apaixonados pela música e a gravação foi marcada para dentro de três dias. Nesse meio tempo, Menescal e Francis tentariam dar uma pressão em Chico para terminar a letra. À noite, separada de Ronaldo, sozinha na casa branca da Niemeyer, Elis resolveu fazer uma sessão de cinema, convidando alguns amigos, entre eles César, para ver Morangos Silvestres, de Bergman, um clássico cabeça da época. Mal o filme começou, César recebeu um bilhete de Elis, foi ao banheiro ler e se espantou: era um “torpedo” amoroso. Atônito, César leu e releu, acreditou e sumiu: completamente fascinado por Elis, era tudo que secretamente desejava. E temia. Então sumiu. Não foi encontrado nos dois dias seguintes em lugar nenhum, os amigos se preocuparam. Mas no dia e hora da gravação, duas da tarde, César estava no estúdio, Menescal se sentiu aliviado e Elis sorriu sedutora. César dispensou os músicos, pediu para todo mundo sair, para coloracarem o piano no meio do estúdio, baixarem as luzes e deixarem só ele e Elis, para a gravação do piano e da voz-guia de “Atrás da Porta”.
Extravasando seus sentimentos, misturando as dores da separação com as esperanças de um novo amor, Elis cantou, mesmo sem a segunda parte da letra, com extraordinária emoção, com a voz tremendo e intensa musicalidade. Na técnica, quando ela terminou, estavam todos mudos. Elis chorava, abraçada por César. Juntos, César e Menescal foram levar a fita para Chico, que ouviu, chorou, e terminou a letra ali mesmo, no ato.
“Dei pra maldizer o nosso lar,
pra sujar teu nome, te humilhar
e me vingar a qualquer preço
te adorando pelo avesso
pra mostrar que ainda sou tua…”
Assim, Elis Regina cantou a versão definitiva de uma das mais poderosas e dilacerantes letras de amor e ódio da música brasileira, produziu uma gravação antológica e emocionou o Brasil com sua arte. E ganhou um novo namorado, com quem esperava crescer na música e na vida.”
(Trecho do livro Noites Tropicais, de Nelson Motta)
Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas
que não fez do que pelas que fez.
Então solte suas amarras.
Afaste-se do porto seguro.
Agarre o vento em suas velas.
Explore. Sonhe. Descubra.
Mark Twain
Tim Burton’s Alice in Wonderland (2010) Teaser Trailer! OHMYGOD.
Entre amigos
Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, “A Identidade”, que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros
Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente … e não a gente a ele!
